Facto

Qualquer coisa que se diga será verdade e mentira, o que importa é saber com quem se está a falar. Porque dizem que os factos são reais, mas facto é um objeto em meio a uma imensidão de perspectivas, ingénuo ou hipócrita é aquele que diz que facto tem um lado. Pois do facto que está a chover torna-se difícil negar caso se comprove, mas quando eu digo que chove eu não o digo apenas pelo facto de estar a chover. Quando eu faço essa declaração o que me motiva é o que implica no meu dia aquela chuva. Pois se está a chover e fico em casa é facto diferente de está a chover e tenho os pés molhados. Em ambos está a chover mas o facto que implica a minha declaração tem motivos diferentes. Quero lá eu saber da chuva quando tenho os pés molhados, o que eu quero é te-los secos, pois essa é a minha perspectiva da chuva. Sendo objeto o facto vai depender sempre da perspectiva de quem o advoga, perspectiva individual ou coletiva tanto faz. Daí provem a necessidade da posição jurídica, ou a política, a hipócrita necessária. Aquela que finge pelo bem do equilíbrio, pois sem ela não o haverá realmente.

Pois se o objeto facto depende de perspectiva e sabendo nós que esta tem os limites do observador, nunca haverá verdade ou mentira. Há escolha, há uma história para contar, um acordo diário, um guião que nos rege, a partir daí há a vida para o explorar.

A estatística e a probabilidade são outra história linda de se contar. Pois quando alguém diz que 60% achou o que os 40% não encontrou ficamos logo satisfeitos com a resposta e damos o assunto como verdadeiro. Sabendo nós bem que as perguntas que fizeram para chegar a esses números eram nada mais que abstrações e ou generalizações, mais ou menos bem organizadas, mas que no entanto dão-nos esta sensação de tranquilidade no que respeita a verdade da opinião de quem as declarou.

Fica então mais uma vez resolvida a realidade transformada em dicotomia partidária, em que os resultados são números que escondem questões reais e com várias respostas possíveis. Ficamos satisfeitos com os números e não percebemos que pouco há de concreto na questão colocada, que essa sim era o tal facto, o objeto que não é apenas sim ou não. O politico, aquele que mente, dizem, não mente nada coitado, só está a fazer uso da tal hipocrisia necessária para o bem partido.

Portanto não discutamos factos e sim ideias, pois são essas as que nos restam, são pessoais, mais ou menos transmissíveis, mas que podem ser conversadas quando não há pretensões de chegar a um bem ou mal, a um sim ou não factual.

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