Digna

O digno de ser. Quem é o digno? Dizem pois que há aquele que é digníssimo, o que é digno, e do outro lado o malquisto do indigno.

Ora  o digno é aquele que tem direito à vida digna. Mas haverá algo de especial nessa dignidade? Diria que não. Não há nada de especial em ser digno, digno não é algo extraordinário. Muito pelo contrário deveria ser algo banal. Pois como disse antes digna quer-se a vida e vida todos os que aqui estão a têm, daí dizer que não se deve atribuir qualidade especial à dignidade.

Dignidade não é titulo, não é luxo, muito menos prémio. Dignidade é direito. É direito de exercer a potencialidade, direito de ser com liberdade. Só se pode ser realmente com dignidade. Pois a vida é uma só, logo quando não há dignidade não há vida na sua total potencialidade. Dignidade é esta qualidade que deve estar colocada no lugar da banalidade. É lugar para potenciar o melhor de cada um. Dignidade é terreno, é caminho e não resultado.

Podemos então dizer que digno é aquele que se move num terrena com esta qualidade. É importante dizer que quem confere dignidade ao caminho são os homens, no entanto não há nada nessa cedência que seja extraordinário. Dignidade está no caminho que se conquista, mas também é caminho que não se encontra. Pois há alguns dignos que impossibilitam o caminho da dignidade a outros, que dizem, são “menos dignos”, como se de uma qualidade intrínseca à pessoa se tratasse. No entanto a dignissima dignidade não está dentro de ninguém. Ela está no ambiente, na sociedade. Se alguém a monopolizar ela não vai chegara a todo o lugar.

Portanto àqueles que se orgulham de ser digníssimos, digo assim, bela ilusão. Pois que dignidade há em viver no meio de tanto terreno indigno? Muros podem os construir altos, mas está claro que quando os trespassam a realidade do caminho grita indignidade, e aqueles que tem o caminho digno nada fazem para a libertar, fazem dela refeição diária, dizem até que a têm na barriga. Atravessam todos os dias os caminhos indignos mas não fazem nada, pois se vomitassem toda a dignidade que acumulam talvez o terreno que os rodeia fosse mais fértil. Tão orgulhosos estão do próprio umbigo que não se importam de viver no meio de tanta terra indigna. Como porcos que comem pérolas, põe um espelho em frente aos olhos, rezam para que nada de mal lhes aconteça e permanecem cidadãos digníssimos em meio a tanta indignidade.

 

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